Jovens em situação de risco social são capacitados em linguagens de comunicação

Programa Corra pro Abraço jovem.
fotos Mateus Pereira/GOVBA

Fotografias, vídeos, produtos de áudio e peças de design gráfico produzidos pelos participantes do programa Corra pro Abraço Juventude fazem parte da Mostra de Comunicação do Corra pro Abraço, realizada nas comunidades do Boqueirão/Nordeste de Amaralina, Beiru/Tancredo Neves, Fazenda Coutos e Plataforma.

Com parte do programa, nesta quinta-feira (19), jovens de Fazenda Coutos transformaram dois muros da região em painéis fotográficos. O objetivo da iniciativa é proporcionar a moradores de bairros periféricos de Salvador a construção de novas narrativas de vida, além de lutar contra índices que apontam 53% das vítimas de homicídio no país como jovens, sendo 71% negros e 73% não possuem o ensino fundamental.

“Eu aprendi muita coisa no programa. A gente acha que fotografar é fácil, mas eu aprendi que a gente pode fotografar não somente o que a gente pode ver, mas também o que a gente pode imaginar e sentir”, afirmou Beatriz Silva, 18 anos, moradora de Fazenda Coutos e participante do programa há três meses. “Decidimos chamar o tema de ‘Além do que se vê’, onde a gente mostra as dificuldades da comunidade e a discriminação”.

Gilcleidson dos Santos Lobo, 19, é um dos participantes mais antigos. “Já tem seis meses que eu participo. Fiz cursos de vídeo, designer, rádio e agora fotografia. Isso ensina muita coisa, não apenas possibilidades profissionais, como também fazemos amizades e aprendemos coisas para levar para o resto da vida e melhorar nosso futuro”.

Oficinas – Coordenador do Corra pro Abraço Juventude, Leandro Cunha informa que o programa atua com 120 jovens, acompanhados desde junho de 2017. “Eles têm acesso a oficinas de educomunicação nas linguagens de rádio, fotografia, vídeo e design gráfico. Isso envolve uma forma de pensar a comunidade, as famílias e o projeto de vida de cada um com a perspectiva de reconstruir possibilidades”.

Segundo Leandro, são atendidos jovens em situação de risco, seja pelo histórico de violência, seja pelo abuso de drogas. “Todo o processo de formação culmina com as mostras, quando mobilizamos e convidamos as comunidades a verem o que esses jovens estão fazendo, porque eles costumam ser muito estigmatizados dentro da própria comunidade”, explicou.

O comerciante Pedro Paixão tem uma loja de acessórios de celulares em frente a um dos muros que se tornaram painéis fotográficos. Ele destacou que o muro “estava feio, todo acabado. É importante a mocidade aprender uma atividade como fotografia. Toda comunidade, todo bairro deveria ter um projeto desses para incentivar os jovens a serem criativos e fazerem cursos”.

Prêmio Culturas Juvenis 2018 – Outra iniciativa de fomento ao desenvolvimento juvenil das periferias lançada junto à mostra é o Prêmio Culturas Juvenis. Grupos de jovens que contribuem para o fortalecimento da cultura podem se inscrever na 1ª edição do prêmio, que pretende reconhecer a atuação de coletivos formados por jovens de quatro territórios de Salvador: Nordeste de Amaralina, Beiru-Tancredo Neves, Plataforma e Fazenda Coutos, bairros de atuação do Programa Corra pro Abraço.

Serão premiados projetos que contribuem para a valorização das expressões culturais da periferia. As inscrições podem ser realizadas até 8 de agosto, no site da ONG Cipó (cipo.org.br).

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