Ritmo do varejo brasileiro está mais lento do que antes da paralisação, diz Associação Comercial de SP

Em junho, o comércio varejista brasileiro voltou para o campo positivo, porém em uma retomada ainda mais lenta do que ocorria antes da paralisação dos caminhoneiros. Essa é a avaliação de Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), acerca da alta de 1,5% em relação a junho de 2017, conforme divulgação do IBGE.

Ele chama atenção para o avanço de 4,1% dos supermercados nesta comparação anual, explicado pela base fraca de junho passado.

Outro ramo que cresceu (10,3%) foi o de veículos (no varejo ampliado), “mas não podemos esquecer de que também foi o que apresentou a maior queda no período anterior”, diz Solimeo. “O segmento está com queda de 33,6% em relação a junho de 2012, que foi o pico das vendas. Então, precisa crescer muito para voltar aonde estava”.
Para ele, daqui para frente a expectativa, dois fatores devem influenciar o varejo e a economia. “De um lado, a manutenção da taxa básica de juros pode estimular as vendas parceladas de bens duráveis, de maior valor. Mas, por outro, a incerteza no campo político pode postergar decisões de consumo”.

Comparação mensal – Sobre a leve queda das vendas (-0,3%) no varejo em junho na comparação com o mês anterior, o que pesou foi a retração dos supermercados, devido ao fato de que, em maio, houve aumento significativo desse segmento, por temor dos impactos da greve dos caminhoneiros no abastecimento. “Os problemas ocasionados pela greve dos caminhoneiros abalaram a confiança do consumidor num momento de incertezas externas e, também internas, como as eleitorais”.

Segundo Solimeo, ainda há sequelas da paralisação. “As condições do transporte não estão totalmente normalizadas, prejudicando atividades ligadas à agricultura, por exemplo, que até agora não resolveram a questão do frete”.

Unit´