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Expectativa é de economia liberal com nova gestão, dizem especialistas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo do presidente, Jair Bolsonaro (PSL), deve conduzir uma agenda econômica com ações para reduzir despesas governamentais e estimular o crescimento. Deverá dar atenção a demandas “conservadoras” de aliados e eleitores, mas agirá com pragmatismo político para que suas propostas sejam aprovadas no Legislativo e obtenha bons resultados.

A avaliação é de intelectuais ouvidos pela Agência Brasil. O
sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (1994-1998), diz que na área macroeconômica as prioridades estão
bem definidas: “Reforma da Previdência, medidas para redução do déficit público,
abertura da economia”.

Para Antônio José Barbosa, professor de História
Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB), o novo governo, sob o ponto de
vista político e econômico, será “liberal”, disse ao lembrar da promessa de
Bolsonaro “em cumprir a Constituição Federal” e da decisão de escolher Paulo
Guedes, “com carta branca”, para o Ministério da Economia.

Prioridades

Para Barbosa, o novo presidente fará “acenos” ao eleitorado
conservador preocupado com os “costumes”, mas deverá dar prioridade à economia.
“Ele é inteligente e sabe que o ponto central é a economia que criar milhões de
empregos.”

O historiador analisa que, assim como Bolsonaro, os
ministros serão pragmáticos. “O novo ministro da Educação [Ricardo Vélez
Rodríguez] rapidamente vai compreender que a realidade é muito mais ampla”,
disse.

Simon Schwartzman espera que, para melhorar a formação
escolar e aumentar a produtividade da força de trabalho qualificada, o novo
governo avance “na implementação da reforma do ensino médio e na melhoria da
qualidade da educação básica, aperfeiçoando a implementando a Base Nacional
Curricular Comum e apoiando e ampliando as experiências bem-sucedidas de educação
pública de qualidade”.

 Modelo Novo

A adoção de medidas econômicas, da pauta social, como
educação, e a “agenda de costumes”, a serem propostas pelo novo governo, vai
depender do relacionamento com o Congresso Nacional, onde ainda não dispõe de
maioria para aprovar reformas constitucionais (3/5 de votos na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal, em votações em dois turnos).

O cientista político Lúcio Rennó, da UnB, autor de estudo
sobre o reposicionamento conservador dos brasileiros nas eleições de outubro
deste ano, destaca a força que as lideranças partidárias têm na Câmara e no
Senado.

“Questões transversais não têm como não ser negociadas sem
essas lideranças”, ponderou. Ele lembra que as regras de funcionamento do
Congresso nas últimas eleições “fortalecem os partidos”, por isso “suas
estruturas institucionais não poderão ser ignoradas”.

Para o especialista, é possível que o novo governo adote uma
forma inédita de relacionamento com as lideranças partidárias. Em substituição
à política baseada em troca de apoio, por meio de cargos e recursos do
Orçamento, o Palácio do Planalto orientaria as negociações para que avancem com
a maior participação das lideranças, também responsáveis pela concepção e
elaboração das propostas. “Essa construção conjunta seria um modelo novo.”

Por Gilberto Costa –
Repórter da Agência Brasil

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