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ESTUDANTES E PROFESSORES DE LETRAS DA UEFS VÃO ÀS RUAS PARA DEFENDER A VALORIZAÇÃO DAS LÍNGUAS

foto: reprodução

A valorização das línguas e a defesa do direito a uma educação linguística plural e diversa foi tema de manifestação de Estudantes e Professores de Letras da UEFS nas ruas da cidade de Feira de Santana. O grupo parte da premissa de que, se o mundo se constrói e se apresenta para nós em diversas línguas, o exercicio pleno da cidadania, o acesso às oportunidades e aos bens culturais, científicos e tecnológicos estão diretamente condicionados ao domínio das línguas. Por isso, é importante que se democratize o acesso à aprendizagem delas para que não se desencadeie em nossa sociedade um processo cruel de exclusões.

Os professores Alex Beckhauser e Iranildes Oliveira frisam que continuar insistindo na predileção da oferta de uma única língua estrangeira nos espaços educativos brasileiros, ou silenciando as línguas do Brasil e suas variantes, reforça um pensamento hegemônico que supervaloriza os grandes centros e as grandes potências em detrimento do eixo sul, no sentido defendido pelo sociólogo português Boaventura de Souza Santos, e restringe as possibilidades de interpretar, compreender e respeitar culturas diferentes da nossa. Acrescentam ainda que a Federação, Estados e Municípios deveriam considerar que o mundo globalizado se constrói com as línguas, nas línguas, pelas línguas e em muitas línguas. E, por tanto, qualquer projeto de desenvolvimento de nação precisa passar pela implementação de políticas públicas que garantam o direito de acesso ao ensino-aprendizagem de línguas e promovam a valorização das línguas do Brasil no mundo.

Para os organizadores, Leilane Mendes: “É urgente que lutemos por uma formação plurilingue nos espaços públicos educativos. O que fizemos hoje teve um impacto significativo para nós professores que estamos em formação”; e Carolaine da Silva: “o ato foi uma nova, organizada e divertida experiência, um genuíno exemplo de Prática Educativa poisfoi além das atividades didático-pedagógicas, alcançando as ruas. Uma ação político-linguistica. Esperamos que este ato tenha sido o primeiro de vários manifestos em prol de uma Bahia consciente dos seus direitos linguísticos em busca da construção de uma Cultura Plurilíngue”.

Michele dos Santos, estudante do curso de Letras: português e espanhol, diz que “a iniciativa do Línguas nas Ruas foi um ato político extremamente democrático, empoderador, emancipador e necessário neste nosso século”. Claudiana Gonçalves, aluna do mesmo curso afirma que “aprender mais de uma língua é também romper com o processo de exclusão”.

Para Igor Mota, estudante de Letras com Inglês, “ter visto várias pessoas unidas em defesa das línguas foi emocionante. Sair dos limites dos portões da Universidade e ir às ruas para recitar poesia, discutir sobre línguas e movimentar pessoas é, com certeza, um ato transgressor, especialmente nos tempos que estamos vivendo. Vejo essa primeira atividade como a fagulha para espalhar um movimento que pretende ser global como o é o Linguativismo (@linguativismo). Espero que mais pessoas saiam às ruas para defender a pluralidade linguística. Línguas são poder, e aprendê-las é um ato de revolução”.

A atividade aconteceu no 30 de setembro de 2019 e foi organizada pelos alunos do 4º semestre de Letras: Português e Espanhol de 2019.1, na disciplina de Prática Edutativa IV, sob orientação da Professora Iranildes Almeida de Oliveira. A iniciativa teve um impacto tão positivo no Departamento do Letras e Artes que os Estudantescontaram com apoio e participação do Programa Portal: ensino-aprendizagem de Línguas para a cidadania, inclusão social e diálogo multi e intercultural, Núcleo de Línguas do Idiomas sem Fronteiras na UEFS (NucLi-IsF/UEFS), lotados na PROEX,estudantes e professores das Licenciaturas em Letras com Inglês, Letras com Francês, Letras: ´português e espanhol da UEFS e seus respectivos Colegiados.

A concentração ocorreu às 8h30min, dentro e em frente ao Núcleo Territorial de Educação (NTE) 19, com leitura de poemas em diversas línguas, gritos em defesa das línguas e apresentação do Movimento Linguativismo. Este movimento foi criado pelo Estudante de Língua com Inglês, Igor Mota, com o objetivo de juntar pessoas que tenham o desejo de continuar lutando pela valorização das línguas e pelo direito a uma educação linguística plural e diversa para a sociedade.

No NTE, o grupo foi recebido com muito carinho pelos servidores. Desse primeiro encontro ficou o compromisso de se estabelecer parcerias com os Programas de línguas da UEFS para, numa escola piloto, desenvolver um projeto plurilingue envolvendo espanhol, inglês, francês e outras áreas. Depois do NTE o grupo seguiu para Getúlio Vargas e de lá para a Prefeitura e Mercado de Artes.

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