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Cheiro de ódio e de urina na mídia

Estamos a enterrar uma década com fenômeno que muda o comportamento do homem. É o acesso à informação que hoje liga, em segundos, os inuits, povos do Ártico, aos papuias, nossos irmãos da Polinésia.

Há mais de cinco séculos, Gutenberg, ao criar a prensa móvel no Ocidente, propiciou a todos o conteúdo dos pergaminhos, da escrita cuneiforme, dos hieróglifos e das inscrições em pedras e cavernas e ajudou a difundir as técnicas, os avanços da ciência, a história e a diversidade das ideias de pensadores. Foi a segunda revolução do ser humano.

Hoje, convivemos com o rádio, a tv, a imprensa tradicional e as redes sociais.

Defendendo a liberdade de pensamento e aqueles que o fazem na honesta e importante profissão do jornalismo, vemos, lamentavelmente, blogs, sites, revistas e jornais digitais nos quais certos indivíduos pululam em busca de angariarem clientela para seus consultórios, mercadejam sua fé ou difundem ideologias incutindo falsidades a leitores de boa-fé. Tais colunas não passam de oficinas de fake news.

O escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais, na maioria dos casos, dão direito à palavra a uma “legião de imbecis”.

Quando médicos, advogados, dentistas e outros escrevem sobre seu mister prestam serviço à coletividade; mas, quando tais profissionais se atrevem a dar palpites sobre áreas que não dominam podem se tornar os charlatães dos tempos modernos, nefastos à sociedade e à democracia, tornando-se médicos-leigos ou leigos-médicos, rábulas ou práticos, com o risco de termos profissionais liberais em fanatismo e transe como dizia Glauber, escorregando em conceitos primários filosóficos e democráticos.

Tais reflexões me vieram à mente ao ler artigos de um profissional liberal nefelibata na vida e na natureza jurídica, inocente útil dos extremistas e especialistas olfativos da urina alheia emanada de sua praxis e intoxicado de ódio, derivado de redes sociais obscuras, achando-se capacitado a falar da chamada Operação Lava-Jato e da atuação dos agentes do poder. Analfabeto em direito, adentra nos meandros da tal operação para borrar textos constitucionais, tais como competências do MPF, promotor natural e sistema de provas judiciais, tudo no afã de atacar qualquer cidadão que busque aplicar o rigor da Constituição federal. E como ádvena que é, e não tendo conhecido o feirense Augusto Aras em sua juventude, ignora que o PGR é consagrado pelos que o conheceram e o conhecem como culto, educado, sério e humano.

Os desarrazoados políticos, publicados em jornal de belíssima tradição local, faz-nos lembrar do consagrado pintor grego Apeles que, ao ter um quadro criticado por um calçadista, na velha Grécia, reagiu: Ne sutor ultra crepidam (não vá o sapateiro além do sapato). O nosso simbólico conhecimento popular consagrou “lagartixa não adianta se esticar que não vira jacaré”.

César Oliveira
Advogado OAB.8707

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