Estima-se que três milhões de brasileiros estejam infectados com o vírus da hepatite C

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Foto: Divulgação

Epidemia silenciosa e muitas vezes ignorada, a hepatite acomete um número significativo de brasileiros. A doença, que provoca a inflamação do fígado, é desencadeada após contato com vírus que tem atração pelo órgão, sendo classificada em aguda ou crônica, a depender se a infecção vai persistir ou não no organismo. Um dos tipos mais importantes, a hepatite C atinge cerca de três milhões de pessoas no país, de acordo com o Ministério da Saúde. Destes, aproximadamente 10 a 20% irão evoluir para uma cirrose hepática ao longo de 20 anos. No entanto, novos tratamentos com poucos efeitos colaterais já estão sendo disponibilizados.

De acordo com o hepatologista do Hospital São Rafael, André Lyra, os sintomas clássicos das hepatites virais agudas são mal estar, falta de apetite, moleza, febre, icterícia (olho amarelo) e colúria (urina escura). Nos quadros crônicos, como por exemplo “em relação à hepatite C, o cuidado tem que ser redobrado, pois habitualmente são assintomáticos. Na maioria das vezes, os pacientes recebem o diagnóstico após exames de rotina. Por isso, a importância de fazer o teste de triagem da hepatite C, pelo menos em uma ocasião durante o check up médico”, detalha o especialista.

Ainda segundo o hepatologista, a transmissão do vírus da hepatite C ocorre, principalmente, através de sangue contaminado. “Um meio importante de contaminação é o compartilhamento de material perfuro-cortante, destacando-se, nestes casos, a partilha de material habitualmente usado no consumo intravenoso de drogas ilícitas, como agulhas e seringas. Aqueles que utilizam drogas ilícitas inalatórias, através do mesmo tubo compartilhado, também podem contrair este tipo de hepatite, se houver contato com lesões das mucosas nasais. É válido ressaltar que, de um modo geral, todo material partilhado, não devidamente esterilizado, pode ser um veículo de transmissão do vírus, incluindo lâmina de barbear, piercing, tatuagem e acupuntura, entre outros. A hepatite C não se dissemina pela saliva nem através dos alimentos”, esclarece.

Outros meios de transmissão – A via sexual é outro meio possível de contágio, mas pouco comum da hepatite C. A transmissão vertical, isto é, da mãe para o filho, também não é frequente. Este risco aumenta se a genitora estiver infectada pelo vírus HIV e apresentar carga viral muito alta. A Organização Mundial de Saúde (OMS) não contraindica amamentação de mulheres com hepatite C para os seus filhos, entretanto é necessário levar em consideração que não pode haver nenhum tipo de ferida na região periareolar (bico do seio). Se houver ferimentos expostos, a amamentação deve ser evitada.

Se o vírus causador da hepatite C não for diagnosticado e tratado precocemente, o paciente poderá continuar tendo o fígado agredido e, em alguns casos, chegar ao quadro de cirrose descompensada, ou seja, o órgão para de funcionar adequadamente, o que traz consequências clínicas relevantes. Os sintomas que podem ocorrer nesta fase avançada são edema nas pernas, ascite (liquido dentro da cavidade abdominal), icterícia e manchas características nas palmas das mãos e tórax.

Novos tratamentos – O anti-HCV é o exame de triagem inicial que deve ser realizado para iniciar a investigação diagnóstica da hepatite C. Uma vez ele sendo positivo, é necessário realizar um teste confirmatório denominado de HCV RNA quantitativo. Somente se este último for positivo é que o diagnóstico da hepatite C pode ser estabelecido.

Segundo André Lyra, até pouco tempo, o tratamento da doença era feito com drogas orais, que provocavam efeitos colaterais muito intensos, e a eficácia variava de baixa a intermediária. Recentemente, o Governo brasileiro disponibilizou, através do SUS, uma combinação terapêutica que já é utilizada nos países de primeiro mundo, com remédios mais eficazes, efeitos colaterais reduzidos e clinicamente não relevantes.

“Esse novo tratamento é muito caro e limitado. Portanto, existem regras para sua liberação pelo SUS. O Governo somente disponibiliza para os pacientes que preenchem os critérios de doença moderada a grave, ou para quem tem outras particularidades, como transplantados de fígado e rim, por exemplo”, detalha o hepatologista, André Lyra, afirmando que a doença pode ter cura. “As chances variam de 80 a 100%, a depender do quadro clínico do paciente e do genótipo viral. Uma vez obtida a cura, o teste anti-HCV permanecerá positivo por vários anos ou até mesmo por toda a vida, mas o paciente continuará curado”, conclui.