Presidente do Bahia diz que futebol pode ser aliado contra pandemia

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O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, se posicionou a favor da manutenção do futebol em meio à crescente da pandemia de covid-19. Segundo o dirigente, que foi contrário à continuidade em 2020, a modalidade pode contribuir para a educação da população sobre os protocolos de saúde.

“Eu fui muito contrário à continuidade do futebol no primeiro ciclo da pandemia, muito receoso com o que podia acontecer e com a contribuição negativa que o futebol podia dar, mantendo o seu calendário quando o país passa por um momento muito difícil (…) Diferente de muitas opiniões, acho que o futebol tem condições de continuar aprimorando cada vez mais seus protocolos”, disse, em entrevista ao programa ‘Os Donos da Bola’, na Rádio Bandeirantes.

CSA é o terceiro adversário do Bahia em intervalo de quatro dias

“O futebol tem condição de ensinar a população com os protocolos. Futebol precisa ser melhor aproveitado no processo de comunicação para a população. O Futebol tem condição de manter o seu funcionamento, falo aqui pela Bahia, com leitos controlados, rigor nos testes, protocolos de viagens e deslocamentos internos”, completou.

A Bahia prorrogou hoje (5) o toque de recolher das 10h às 5h para conter o avanço do vírus. A medida segue válida até o próximo dia 12, com fechamento de bares, restaurantes e pausa no funcionamento do transporte público durante o horário. O Campeonato Baiano, no entanto, continua como o programado.

Bellintani era um dos participantes da reunião com Rogério Caboclo, presidente da CBF, divulgada recentemente. Nela, o mandatário do futebol brasileiro foi taxativo ao dizer que os clubes precisavam que o calendário fosse seguido por motivos financeiros. O cartola, porém, criticou o vazamento da conversa.

“Achei um grande desrespeito o vazamento do vídeo, não importa o tema, o grande erro é que ali se tratava de uma discussão interna onde os debates devem ser aprofundados. O grande desrespeito foi um dos presentes de gravar e divulgar. Se tem um presidente tão corajoso para gravar e divulgar, ele diga quem fez, achei uma grande covardia. São discussões internas do clube com a CBF. Repito”, pontuou.

“Às vezes não tem os argumentos adequados, tom de colocação diferente que poderia ser evitado, não tenho dúvida. É um desrespeito. A gente tem que ter liberdade de dizer coisas entre nós e argumentar de forma livre, sem que seja vazado sem que todos concordem. Não que não possa ser divulgado. Fiquei muito assustado com o fato de uma reunião entre clubes, que deveria ser preservada. Ou se fosse para ser divulgado, que fosse com a concordância de todos. Foi uma grande falta de respeito com todos. Não vou fazer nenhum comentário para não estimular esse fato”, opinou.

Tais problemas financeiros são realidade em grande parte dos clubes do país desde o início da pandemia, quando as receitas não atingiram as cifras esperadas.

“A pandemia colocou no abismo clubes que já estavam à beira do abismo. Já estava quase caindo e a pandemia deu um empurrão. Clubes que estavam razoavelmente estáveis sofreram muito em 2020. Vou dar o exemplo do Bahia. O Bahia projetou para 2020 um faturamento entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões. Em 2019, nós faturamos R$ 189 milhões. Só que a pandemia cortou aproximadamente R$ 60 milhões da receita. Isso é um terço do faturamento planejado, sem aviso prévio. A pandemia se mostrou assustadora em março quando era impossível replanejar o ano”, avaliou.

“O Bahia reduziu despesas, tentou perder o mínimo possível de receitas, mas ainda assim fechamos com um déficit que se aproxima de R$ 50 milhões em 2020. Qual é o desafio para 2021? Cortar custos, montar um time mais barato, tentar ser criativo com trocas, pegar jogadores que não têm investimento tão alto. Para fazer de 2021 ano de estabilização. O ano não é de investimento, pelo contrário, é de retração. Nosso trabalho é que o reforço de 2021 seja o equilíbrio das finanças”.

Brasileirão 2020 e reforços

Bellintani avalia que a campanha do Bahia na temporada passada foi abaixo do esperado, e que neste ano, o clube deve acionar revelações da base por “convicção e necessidade”, pois é “a forma mais barata de montar o time”.

“O ano de 2020 foi muito decepcionante a gente projetava fazer um Campeonato Brasileiro no meio da tabela, quem sabe até ficando entre os 7 ou 8 times e buscando a vaga na Libertadores. Durante a temporada essa aspiração se mostrou completamente equivocada, a gente passou boa parte do campeonato ali brigando próximo da zona de rebaixamento e em algumas rodadas dentro da zona de rebaixamento. No final, comemoramos uma vaga na Copa Sul-Americana e ficamos em 14º, mas foi uma frustração muito grande por erros nossos, de modelo de contratação, de perfil de contratação. Por outro lado, a gente sofreu com a ausência da torcida no estádio, alguns clubes sofrem mais e outros menos, a gente sofreu muito. Teve contratação equivocada, dificuldade no pós-pandemia, inclusive de preparação física”, relembrou.