Urânio contamina água na Bahia

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Há 15 anos, a extração do material radioativo do solo de Caetité é feita (Foto: Reprodução)

Uma tampa de ferro cobre a boca do poço, no sítio de Osvaldo Antônio de Jesus. A proteção enferrujada tem um furo no meio. Abaixo dela, um reservatório com 90 metros de profundidade está cheio d’água. Osvaldo ergue a tampa e aponta o líquido, um bem precioso para quem vive em cantos de Lagoa Real, no sertão da Bahia. Por cerca de um ano, foi esse o poço que garantiu boa parte do consumo diário de sua família. Há poucas semanas, porém, nenhuma gota pôde mais ser retirada dali. Sua água está contaminada por urânio.A família de Osvaldo é uma das tantas que vivem no entorno da única mina de urânio explorada em toda a América Latina.
Há 15 anos, a extração do material radioativo do solo de Caetité – Região Centro Sul Baiana – é feita pela estatal federal Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
Durante todp esse período, a contaminação da água da região por material radioativo sempre foi uma situação negada pela INB. Desta vez, provas coletadas pelo Estado comprova que há, de fato, contaminação. Por um mês, a reportagem reuniu documentos oficiais, laudos técnicos e despachos envolvendo as atividades de extração de urânio na região e o monitoramento da água usada pela população.
Os documentos atestam que, desde o ano passado, a INB já havia detectado a existência de água com alto teor de urânio em um poço em Lagoa Real. A estatal, no entanto, não comunicou a prefeitura local sobre a situação, ou mesmo a família, o que só viria a ocorrer em maio deste ano, sete meses depois da coleta da água.
A INB não explicou à reportagem por que a ocorrência da água contaminada por urânio verificada pela própria empresa em outubro de 2014 só foi informada à prefeitura de Lagoa Real em maio deste ano. Em nota, a empresa também não se posicionou sobre o fato de deixar de inspecionar a qualidade da água utilizada pelos vizinhos do sítio onde o material radioativo foi encontrado