Yalorixá protesta, na Tribuna Livre da Câmara, contra preconceito, racismo e intolerância em Feira de Santana

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Um protesto contra o preconceito, o racismo e a intolerância. A Câmara de Feira de Santana abriu espaço, nesta terça-feira (30), para o pronunciamento da pedagoga Maria das Graças Ferreira Santos, na Tribuna Livre da Casa. Yalorixá do Ilê Axé Gilodefan, localizado em Oliveira dos Campinhos, município de Santo Amaro, ela é mais conhecida por Mãe Graça de Nanã. Coordenadora da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro, sediada em Salvador, também integra o Grupo Nacional Mulheres de Axé e é membro do Comitê Contra Intolerância Religiosa (Cointer), criado pela Prefeitura.

Mãe Graça observa que Feira de Santana é uma cidade de maioria negra, na sua população de mais de 600 mil habitantes, não devendo estar “acorrentada ao passado opressor e de coronelismo”. Ela pede um “basta” ao racismo, à intolerância e à homofobia: “Nós, homens e mulheres do candomblé, não mais aceitaremos. Não vamos silenciar os nossos atabaques”. Aos vereadores, roga que “o Senhor Jesus lhes dê sabedoria para legislar em favor de todo o povo, cumpram o juramento do mandato que lhes foi confiado, sigam a Lei Orgânica e a Constituição”.

Apela, aos parlamentares, que não “compactuem nem colaborem com o uso desta Tribuna para nos ofender, em manifestações de ódio e rancor”. Defende que a Câmara seja, sempre, “espaço de cidadania, jamais de preconceito”. Segundo a yalorixá, sua religião não prega o ódio, mas o amor, “base do cristianismo, que tem como representante o Senhor Jesus”. Ao pedir “respeito às nossas origens”, ela diz que “não cabe, a nenhum de nós, julgar a fé alheia”. Segundo Mãe Graça, haverá resposta todas as vezes que aconteça “manifestação julgadora” no âmbito da religiosidade.