Doação de sangue é vital para portadores de doenças crônicas

Foto: Divulgação

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Desde quando descobriu que era portador da Anemia falciforme, ainda criança, a vida do estudante Fábio Queiroz, hoje com 20 anos, mudou completamente. As idas ao médico e as transfusões de sangue passaram a ser rotina, pelo menos uma vez por mês. Mais comum entre a população negra, a doença crônica de cunho hereditário, que afeta um a cada 650 nascidos vivos, tem grande incidência na Bahia e alta taxa de morbimortalidade, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

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Muitos portadores da doença precisam receber doações de sangue com regularidade, principalmente em momentos de crise, nas quais são comuns sintomas como isquemia (suspensão da irrigação sanguínea), dores e disfunções de órgãos. De acordo com a hematologista do Hospital São Rafael (HSR), Cecília Luz, algumas crianças podem chegar a ter Acidente Vascular Cerebral (AVC) e são mantidas em regime de transfusão crônico com o intuito de diluir a hemoglobina anormal, denominada HBS. No caso de Fábio, até os nove anos de idade, ele já havia sofrido nove AVCs.

Apesar de mais comum, a anemia falciforme não é a única doença crônica que precisa de doações de sangue com regularidade. “Pacientes com leucemia e em fase de transplante de medula óssea, durante os ciclos de quimioterapia, necessitam de glóbulos vermelhos e plaquetas, pois a medula deixa de produzir sangue neste período”, ressalta a especialista. Outras situações como cirurgias cardíacas, transplantes, traumas e acidentes por arma de fogo também requerem estoque de sangue.

Como as causas para a transfusão podem ser diversas, é importante que os voluntários não percam o hábito da doação. De acordo com a especialista, o gesto simples e rápido de uma pessoa pode ajudar a salvar quatro vidas de uma só vez. Apesar do número de doações ter crescido 90%, em seis anos, ainda é comum a ausência de doação em períodos festivos ou de grandes recessos como Carnaval, São João, dentre outros feriados prolongados.

Salvando Vidas – Muitas vezes, o retardo na transfusão pode causar consequências graves ao paciente como piora clínica e sangramentos. “Por isso, é de fundamental importância que os Bancos de Sangue possuam estoque suficiente para atender não apenas as situações eletivas, mas também as situações de urgências e emergências”, alerta Cecília Luz. Além do sangue, as plaquetas também são indispensáveis, conforme constata a hematologista. “Elas são elementos do sangue que servem para reduzir ou parar sangramentos e a grande dificuldade é que o concentrado de plaquetas tem validade de apenas cinco dias”.

A cada doação de sangue é produzido apenas um concentrado e, normalmente, um adulto necessita de sete a 10 unidades. No Hospital São Rafael, a coleta desse material é feita através de máquina separadora automatizada, permitindo em uma única doação, o equivalente entre oito e 16 unidades, no método tradicional. “Essa doação é feita por doadores especiais que devem ter bons acessos venosos. Geralmente, são convidados aqueles que já doam sangue regularmente e, após explicação, decidem fazer esse tipo de doação”, explica.

As coletas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e no sábado, das 8h às 12h, no São Rafael. Para doar sangue, é preciso que o voluntário esteja em boas condições físicas e de saúde, esteja bem alimentado, não tenha antecedentes de gripe, febre ou diarreia, tenha entre 18 e 69 anos e pese mais de 50 kg. Mais informações sobre os critérios para doações podem ser conferidas no próprio site do HSR: http://www.portalhsr.com.br/banco-de-sangue/.