A História do Navio Brigue Palhaço e o Brasil atual

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Talvez, ou nunca, as senhoras e os senhores tenham ou ouvido, ou lido sobre a História do Navio Brigue Palhaço. Um fato verídico ocorrido no Brasil, e que os Livros de História, e as salas de aulas sonegaram, e sonegam do nosso povo. Por que será? Está resposta não tenho como responder agora.

O certo é que, ao menos neste momento, este fato histórico, que me foi revelado num recente novo Curso de Especialização, me fez lembrar do atual período que estamos vivendo no Brasil. Vejamos. Segundo contou a Professora, no dia 16 de outubro de 1823, um grupo de soldados de Belém, no Pará, e de pessoas consideradas desordeiras que faziam uso de bebidas alcoólicas, efetuaram ataques aos estabelecimentos comerciais pertencentes aos portugueses que residiam na cidade, incidentes já anteriormente repetidos.

Narram os Historiadores, que os soldados leais ao Reino Português, em terra firme, que não conseguiram debelar a insurreição, noticiaram os ocorridos para a Força Naval Imperial atracada na baía e que estava a bordo do supracitado navio.

Sendo assim, o Comandante da tropa, John Pascoe Grenfell, determinou aos seus homens, na calada da noite, que desembarcassem, e se alinhassem aos leais presentes em terra firme, para que contivessem e prendessem os rebeldes.

As ordens incluíam, inclusive, o abate dos rebeldes, ou de qualquer pessoa que contrariasse a vontade do Imperador.
Vários brasileiros natos, naturalizados, estrangeiros, escravos, semilibertos foram incluídos como vítimas da sana estatal. Qualquer pessoa humana, que fosse considerada suspeita, ou em atitude assemelhada, era recolhida ao cárcere.

Não satisfeito com os atos brutais do dia anterior, na manhã seguinte, cinco brasileiros, ou não, sem o devido processo legal foram executados à balas de fuzis, enquanto outros tantos eram torturados. Deste grupo de infelizes, 256 detidos na noite anterior, foram levados para as celas da cadeia pública, onde permaneceram até o dia 20 do mês e ano em referência, hiato temporal último para a transferência até o buque do navio São José Diligente, posteriormente denominado “Brigue Palhaço”, que era comandado pelo Primeiro Tenente Joaquim de Mar e Guerra Lúcio de Araújo, narrou a professora da Especialização, seguindo os historiadores conhecedores do fatídico.

Sem as mínimas condições humanas mulheres e homens foram confinados aos porões da embarcação, sem direito a água, ou alimentos, até que o Comandante, a mando do Imperador, lhes desse o destino das vidas. Face às condições inferiores ao que é considerado normal para ser humano, ainda que naquele período quase que medieval, elas e eles começaram a reivindicar ao menos um gole d’agua, em meio às ameaças de todas as estipes.

Os leais ao Império, retirando água do Rio Pará, que tem como afluente o Guamá (que significa local de segregação dos leprosos), lançaram o precisos liquido para que os já quase mortos pela tortura física e psicológica, disputassem cada gota dos baldes, fator que agravava o contato corporal e consequente pisoteamentos entre os presos.

Para acalmar a nova “rebelião” tiros de fuzis foram disparados em direção aos presos, com posterior derramamento de cal, para silenciar as vozes já quase que caladas pelo horrendo sofrimento.

Aberto os porões do navio na manhã do dia 22, do mesmo mês e ano em comento, por ordem do seu comandante, 252 cadáveres estavam em estado de penúria, e só quatro seres humanos levantavam as mãos suplicando por socorro. Destes últimos, apenas um de nome João Tapuia, resistiu, ao todo, 252 seres humanos foram abatidos cruelmente nos porões invisíveis da ditadura imperial.

Os comandantes da Força Naval Imperial, bem como, do navio em apreço, assumiram tamanha crueldade, o certo é, que o fatídico ficou impunível, e não divulgado pelos livros, exceto, raras exceções. Dito o suso, existem brasileiros defendo o retorno da ditadura, do império, e outros tantos, que revestidos do Poder que lhe foi outorgado pelo Povo, para momento com início, e fim, buscando de forma condenável, para não dizer prostituída, vender dificuldades, para ter facilidades, isso em todos os níveis dos Poderes constituídos. Digo, pior que a ingratidão, é buscar escravizar o que te desescravisor, tenha sido qualquer forma de escravização que você tenha passado, ou passa.

A liberdade, é uma luta de todos que acreditam e a defendem, sem qualquer tipo de discriminação, as diferenças de qualquer espécie, ou os ideias e ideias não podem nos levar para os porões do Navio Brigue Palhaço, o nosso campo de debates devem ficar restritos às diferenças que possuímos, mas, nunca tentando o fuzilamento, ou o cárcere dos contrários.

 

HERCULES OLIVEIRA DA SILVA
Radialista, Bacharel em Direito, Especialista em Direito Constitucional, Direito Penal e Processo Penal Militares,Professor, Advogado, e nascido em Feira de Santana.