Câncer de próstata atinge 68 mil homens por ano no país

Foto: Divulgação
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O câncer de próstata é uma das doenças que mais acometem os homens na meia idade. Silenciosa e de progressão lenta, a doença pode demorar até 15 anos para começar a apresentar sintomas, tempo que pode resultar no início tardio do tratamento. A melhor forma de tratamento vai depender de fatores como o tamanho do câncer, que atinge 68 mil homens por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia; evolução do quadro ou, até mesmo, a situação do paciente. Dentre as possibilidades usadas com o objetivo de cura, estão a intervenção cirúrgica e a radioterapia.

De acordo com o urologista do Hospital São Rafael (HSR), Frederico Mascarenhas, também é possível submeter o paciente a uma observação clínica, chamada de vigilância ativa, apenas analisando a evolução ou não do tumor. Ainda de acordo com o médico, no quesito cirurgia, o recomendável é o uso de procedimentos menos invasivos, sendo a laparoscopia a técnica que garante maior precisão e um pós-operatório mais rápido, dentre as realizadas na Bahia. “Ao contrário da cirurgia convencional, são feitos pequenos orifícios no paciente sem que seja necessária a abertura do abdômen. O laparoscópio amplia a imagem da região, melhorando a visualização da anatomia, o que torna o procedimento mais preciso”, afirma o especialista.

O procedimento cirúrgico já evoluiu muito, nos últimos anos, conforme esclarece Mascarenhas. No Hospital São Rafael a laparoscopia é realizada de maneira rotineira e propicia ao paciente uma recuperação e retorno às atividades habituais mais rapidamente. A duração da cirurgia varia de 1h30 a 2h30 e o paciente fica internado, entre 24 e 36 horas. Já na cirurgia aberta, o período é de 48 horas. A cirurgia, inclusive, não é a última opção, conforme esclarece o especialista. “Sempre que houver um tumor restrito à próstata a cirurgia deve ser uma das primeiras escolhas. O tamanho da próstata, apesar de não interferir na decisão pela realização da cirurgia, limita em alguns casos o uso da radioterapia”.

A radioterapia é indicada como tratamento curativo de primeira linha. “Da mesma forma que a cirurgia, tem suas limitações impostas, como o tamanho da próstata, já que as muito volumosas podem impedir esse tratamento. A radioterapia também pode ser aplicada como complementação à cirurgia quando percebemos que o tumor já não estava mais contido na próstata ou, tardiamente, quando há recidiva do câncer no leito prostático (onde a glândula fica antes de ser removida). Já a quimioterapia, é utilizada em pacientes com tumores mais avançados ou tumores mais agressivos, mas com o objetivo de controlar a doença e não com o objetivo curativo”, explica.

Pós-operatório – Depois da cirurgia, o paciente deve ser acompanhado e realizar consultas clínicas com regularidade, além medir periodicamente o PSA, com o objetivo de detectar qualquer indício de recidiva do tumor precocemente, que permita iniciar o tratamento de resgate. O paciente também permanece com sonda durante uma semana, se a intervenção for através da laparoscopia e 15 dias, na aberta. As atividades habituais podem ser retomadas após três semanas da cirurgia laparoscópica e em cinco semanas, na convencional.

Sobre as consequências do tratamento, Frederico Mascarenhas faz um alerta. “É Importante salientar que fazer cirurgia para tratar o câncer de próstata não é uma sentença de que a pessoa vai ficar impotente ou incontinente. Isto depende muito do cuidado que temos na cirurgia em preservar os feixes vásculo nervosos, que passam na lateral da próstata e que são responsáveis pela ereção e continência. O cuidado intraoperatória é essencial e, nesse ponto, a experiência do cirurgião é de extrema importância para que se obtenha esse resultado”.
Segundo ele, a chance do paciente ficar incontinente é muito baixa, aproximadamente 1%. Enquanto a probabilidade do paciente ter disfunção erétil completa varia entre 15 e 20%. A maioria acaba por reestabelecer a ereção, às vezes com auxílio ou não de medicamentos. “Mesmo naqueles que têm disfunção erétil completa e que não respondem a qualquer medicamento, temos a possibilidade de reabilitação, através de cirurgias em que são implantadas próteses penianas. As próteses são infláveis e permitem que o paciente tenha ereção de excelente qualidade”. Da mesma forma, a incontinência, apesar de rara, pode ser tratada através do implante de esfíncteres artificiais, que são equipamentos de silicone que fazem o papel do músculo responsável pela continência.