Cresce a fila da morte na maior cidade do interior da Bahia

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José Carlos Teixeira*

 

O número é impressionante: 163 pessoas morreram na fila da regulação em Feira de Santana nos quatro primeiros meses deste ano. Atendidas em unidades de pronto atendimento e policlínicas municipais, elas aguardavam transferência para um hospital e não resistiram à espera prolongada – em alguns casos de mais de 20 dias.

O mais grave: a fila segue aumentando a cada semana, o que põe em xeque um dos carros-chefes da gestão do governador Rui Costa em plena campanha eleitoral – oficialmente, meu caro leitor, a campanha só deverá começar em 16 de agosto, mas na prática ela já começou, com os pré-candidatos correndo trecho interior afora, à cata de votos.

Com problemas na educação e na segurança pública, Rui Costa vem apostando fichas graúdas nos investimentos que realizou na área de saúde para ajudar a catapultar a candidatura à sua sucessão do petista Jerônimo Rodrigues – “O governo que mais investiu na saúde”, diz a propaganda oficial, apoiada no número de hospitais, maternidades e policlínicas regionais que o Estado construiu nos últimos anos.

A explosão de mortes na fila da Central Estadual de Regulação, no entanto, vem ganhando espaço na mídia e ameaçando o suposto trunfo governista na conquista do eleitorado da maior cidade do interior – ao menos daqueles eleitores que necessitam recorrer aos hospitais públicos. E isso ocorre exatamente na cidade que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado e onde se espera haverá uma renhida disputa entre os dois principais candidatos a governador: o oposicionista ACM Neto, do União Brasil ( o novo partido resultante da fusão entre DEM e PSL) e o governista Jerônimo Rodrigues, do PT. Neto tem ali o apoio de José Ronaldo, quatro vezes prefeito do município. Jerônimo tem morada na cidade e é professor da universidade local.

Independentemente das questões eleitorais, o problema despertou a atenção do Ministério Público: o promotor de justiça Audo da Silva Rodrigues já abriu um procedimento de investigação para saber as causas da demora na regulação de pacientes. Inicialmente, ele quer saber se a situação é restrita a Feira de Santana ou se vem ocorrendo em todo o Estado, como tudo está a indicar.

Mas, como estamos em ano eleitoral, o diretor do Hospital Regional Clériston Andrade, José Carlos Pitangueira, saiu atirando e já apontou um culpado: a prefeitura, que é comandada pela oposição. Argumenta que se houvesse um hospital municipal, não haveria superlotação no hospital estadual que ele dirige.

Faz sentido. Mas vá ele explicar isso aos parentes dos pacientes que aguardam a vaga de um leito hospitalar na fila da regulação…

 

*José Carlos Teixeira é jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político pela Universidade Católica do Salvador.